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Por que a Europa pode fazer sentido para escalar inovações desde a América Latina e Caribe

Depois de mais de 48 projetos no corredor América Latina e Caribe-UE, uma conclusão: a Europa não é a opção óbvia, mas é a opção certa para certos perfis.

Quando uma organização do Chile, da Colômbia ou do México começa a buscar financiamento internacional para escalar um piloto, o primeiro olhar costuma ir para os Estados Unidos. Mais perto, mesmo fuso horário, ecossistema de VC mais visível. A intuição é razoável. Mas nem sempre acertada.

Na 2811 já são dez anos trabalhando o corredor América Latina e Caribe-UE. Já vimos que tipo de inovação encontra tração na Europa, e que tipo simplesmente esbarra em uma parede. A conclusão, depois de mais de 48 projetos, é que a Europa não é a opção óbvia, mas é a opção certa para certos perfis.

Quando a Europa faz sentido

Há três condições que, quando ao menos duas se cumprem, fazem valer a pena investir tempo em um pivô rumo à Europa.

Quando a inovação tem componente de política pública ou regulatório. O mercado europeu se constrói em torno de regulação. CSRD, Green Deal, AI Act, Digital Services Act. Isso soa a fricção, mas é o oposto: cada nova regulação abre um mercado para quem tem a solução técnica. Uma startup chilena de medição de pegada de carbono encontra cliente na Europa antes que nos EUA, porque na Europa o cliente é obrigado a comprar.

Quando o modelo de negócio aceita capital paciente. O venture capital europeu é mais conservador, os tickets seed são menores, e a rodada Série A chega mais tarde. Em contrapartida, há um ecossistema massivo de capital não diluível: Horizon Europe, EIC Accelerator, LIFE, Erasmus+ Knowledge Alliances. Uma startup deep-tech pode acessar 2,5 milhões de euros em grant mais 15 milhões em equity via EIC Accelerator. Isso não existe nos EUA com essa estrutura.

Quando a solução tem impacto mensurável e narrativa de transição justa. A Europa, particularmente a Alemanha, os Países Baixos e os países nórdicos, tem um apetite específico por inovação com componente social, ambiental ou de equidade. Não como branding, mas como critério de investimento. Fundos de impacto, family offices com mandato climático, fundações (KR, Mercator, Laudes, Oak) buscam ativamente empresas com essa narrativa.

O que a Europa exige em troca

Nem tudo é oportunidade. Há três exigências sérias.

Presença institucional, não só digital. A Europa funciona com redes de confiança. Uma entidade legal em território europeu, um consórcio com parceiros europeus reconhecidos, ou uma parceria estável com uma organização âncora, move o ponteiro mais que dez pitch decks bem feitos. Essa é uma das razões pelas quais a 2811 mantém operação direta em Berlim e Bruxelas.

Prazos longos. Processos formais. Um grant do Horizon Europe se candidata com quatro a cinco meses de antecedência. Um consórcio Erasmus+ se monta em seis a doze meses. As decisões de investimento deep-tech europeias levam entre seis e nove meses. Se o plano financeiro não aguenta esses prazos, a Europa não é a resposta.

Produção rigorosa em inglês e em formato europeu. Não é um detalhe. Uma proposta ao Horizon Europe é avaliada por avaliadores externos que aplicam critérios numéricos sobre Excellence, Impact e Implementation. A forma importa tanto quanto o conteúdo. Uma inovação brilhante mal redigida fica de fora. Uma inovação mediana bem estruturada entra no ranking.

O corredor que já existe

O que mudou nos últimos cinco anos é que o corredor América Latina e Caribe-UE deixou de ser informal. A estratégia Global Gateway da União Europeia destinou 45 bilhões de euros a investimento na América Latina e no Caribe até 2027. O Erasmus+ Capacity Building in Higher Education segue sendo uma das portas mais usadas para parcerias universitárias. LIFE, Interreg e EuropeAid mantêm linhas ativas com elegibilidade para entidades latino-americanas.

E o novo ciclo 2028-2034, com seu Horizon Europe ampliado a 175 bilhões de euros e um Erasmus+ unificado de 36,2 bilhões, vai ampliar ainda mais essas linhas.

A pergunta certa

A pergunta não é “devo me candidatar à Europa?”. A pergunta é “minha inovação tem componente regulatório, narrativa de impacto ou tração institucional que um avaliador europeu possa reconhecer?”. Se a resposta for sim em ao menos dois casos, vale a pena dedicar seis meses a estruturar a entrada. Se a resposta for não, é preciso melhorar primeiro o produto antes de buscar o dinheiro.

Na 2811 ajudamos organizações da América Latina e Caribe a se fazerem essa pergunta antes de investir tempo e recursos em uma candidatura que não vai vencer. E, quando a resposta é sim, a estruturar a entrada com presença, consórcio e narrativa.


Fontes: Comissão Europeia, Global Gateway Strategy · EIC Accelerator, Funding Programme 2024-2027 · Comissão Europeia (julho de 2025), EU Budget 2028-2034 proposal · 2811 Global, Portfolio 2020-2026 (48 projetos · Chile · Colômbia · Europa).